sexta-feira, 17 de março de 2017

Nem noite nem dia

Às 6 e 30 da manhã de hoje o céu nublado escondia a aurora. Nem dia nem noite, hora de indecisão, o céu pardacento pingou no lajedo gotinhas de vida do dia a nascer ou gotinhas de luto da noite a morrer. Pareciam lágrimas, felizes ou tristes, duma grata candura e simplicidade. Dir-se-ia que vinham ao encontro de nós mas tudo indicava que fugiam do céu. Porque o céu cinzento estava num dilema de ser noite ou dia, de abrir os olhos ou semicerrá-los e de manter as nuvens ou as mandar para longe daquele lajedo.
Veio brisa leve que brincou com as gotas, as árvores mexiam num ritmo dolente, o céu foi clareando muito de mansinho e a dança das gotas ia evoluindo quase em rodopio enquanto as mais cansadas iam pintalgando todo o lajedo.
Aquele cheiro bom de terra molhada demorou a sentir-se porque as gotas dançavam, não queriam cair ou então despediam-se da noite arredia.
Mas não tardou que a chuva parasse, contendo a dança calma e linda das gotas.
Sentiu-se aumentar a brisa, o ar refrescou...
E nasceu o dia.

6 comentários:

  1. Bela prosa poética. Um amanhecer brilhante.

    Beijos e bom fim de semana.
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    1. Obrigada, amiga. Um resto de dia brilhante para ti. Beijinhos.

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    1. Bom fds, poeta. Babei por gostares. Beijinhos.

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