Com quantos paus se faz...
Não, não quero canoas, jangadas ou barcos, a minha doca é seca e a maré baixou. Se fosse até à água mal molharia os pés, nadar é fugir e pouca água não deixa.
Se vier enxurrada, tormenta e mar fico a contar os paus...
Mas não irei navegar.
Atraquei aqui sem barquinho, não tenho âncora, só paus.
Levanta-se um vento, bom para velejar, mas não tenho vela nem barco, só paus.
O Sol já se põe lá longe e tão perto, ajuda-me a contar...
Com quantos paus se faz uma cerca à volta de nós?
sábado, 11 de março de 2017
No fim do arco-íris
Apetece-me ir além do presente, aquém do futuro, até ao fim do arco-íris.
Não sei o caminho mas hei-de encontrar-lhe o mistério.
Algures na vida perdida consegui encontrar o que não se passou, talvez agora descubra que parte do mistério compõe o fascínio.
Mesmo que não saia de onde estou espero chegar rapidamente.
Urge o sonho polido de saber o que quero sem o reconhecer.
Não sei o caminho mas hei-de encontrar-lhe o mistério.
Algures na vida perdida consegui encontrar o que não se passou, talvez agora descubra que parte do mistério compõe o fascínio.
Mesmo que não saia de onde estou espero chegar rapidamente.
Urge o sonho polido de saber o que quero sem o reconhecer.
pensamento # 2 - sem
Sem tempo, sem meios, sem fins, sem palavras, sem ninguém...
Estamos na era do "sem".
Acredita quem conseguir viver "sem" conteúdo.
Estamos na era do "sem".
Acredita quem conseguir viver "sem" conteúdo.
sexta-feira, 10 de março de 2017
pensamento # 1
Nada nem ninguém importa se em nós não houver guarida.
Vamos abrir portas, janelas, medos, dúvidas e esperanças.
E venha tudo.
E venha tudo.
No fundo do copo
No fundo do copo espera-nos a calma da morte da sede, do vício ou do sim por acaso.
No fundo do copo espreita a tentação de quem o segura.
No fundo do copo diz-se que sim abanando a cabeça.
No fundo do copo pensa-se que não enquanto se torna a enche-lo.
No fundo do copo que matou a sede mora só a felicidade.
No fundo do copo espreita a tentação de quem o segura.
No fundo do copo diz-se que sim abanando a cabeça.
No fundo do copo pensa-se que não enquanto se torna a enche-lo.
No fundo do copo que matou a sede mora só a felicidade.
quinta-feira, 9 de março de 2017
Paz, sossego e calma e um gato vadio
Um avião cruza o céu e fico a vê-lo desaparecer por detrás de uns prédios.
Foi baixo o som, fugaz a imagem, um gato vadio acompanha-me no virar de cabeça.
Há um turbilhão de atropelos na rua de baixo, gente a pé em várias direcções e carros a apitar; semáforos avariados, todos amarelos, parecem ser o âmago da confusão. Será? Ou o mundo está todo ele uma enorme confusão sem sabermos porquê?
Aqui onde estou impera o sossego. Espreito tudo de longe sem me deixar envolver. Eu e o gato vadio, malhado de cinza e branco.
Um pardal pipia numa árvore próxima. Salta de ramo em ramo, desafia o equilibro, fico a olhá-lo, sem grande interesse. Eu e o gato vadio, malhado de cinza e branco que tem uma pata branca.
No desenrolar da confusão da rua de baixo, aparece a polícia para controlar o trânsito. Fico a olhar, distraída. Eu e o gato vadio, malhado de cinza e branco, que tem uma pata branca e uma manchinha mais clara bem no meio do focinho.
É bonito o gato vadio!
A minha paz também, enquanto a confusão reina na rua de baixo.
A cidade desnivelada consegue-me esta calma. Vejo, não ligo, olho mas nem penso. Da minha rua mais alta que a da confusão. Não faço parte, sossego e descanso. Eu e o gato vadio, malhado de cinza e branco, que tem uma pata branca, uma manchinha mais clara bem no meio do focinho e que olha para mim como se conhecesse o mistério da vida.
Foi baixo o som, fugaz a imagem, um gato vadio acompanha-me no virar de cabeça.
Há um turbilhão de atropelos na rua de baixo, gente a pé em várias direcções e carros a apitar; semáforos avariados, todos amarelos, parecem ser o âmago da confusão. Será? Ou o mundo está todo ele uma enorme confusão sem sabermos porquê?
Aqui onde estou impera o sossego. Espreito tudo de longe sem me deixar envolver. Eu e o gato vadio, malhado de cinza e branco.
Um pardal pipia numa árvore próxima. Salta de ramo em ramo, desafia o equilibro, fico a olhá-lo, sem grande interesse. Eu e o gato vadio, malhado de cinza e branco que tem uma pata branca.
No desenrolar da confusão da rua de baixo, aparece a polícia para controlar o trânsito. Fico a olhar, distraída. Eu e o gato vadio, malhado de cinza e branco, que tem uma pata branca e uma manchinha mais clara bem no meio do focinho.
É bonito o gato vadio!
A minha paz também, enquanto a confusão reina na rua de baixo.
A cidade desnivelada consegue-me esta calma. Vejo, não ligo, olho mas nem penso. Da minha rua mais alta que a da confusão. Não faço parte, sossego e descanso. Eu e o gato vadio, malhado de cinza e branco, que tem uma pata branca, uma manchinha mais clara bem no meio do focinho e que olha para mim como se conhecesse o mistério da vida.
quarta-feira, 1 de março de 2017
Sonhar que se morre e viver sonhando
Sonhei que morri.
Acordei feliz por ter sido só um pesadelo.
Há sonhos "dos outros" (aqueles diurnos em que nem pestanejamos) que se tornam pesadelos sem sabermos porquê.
Talvez que os sonhos precisem de alimento salutar e inspirado. Penso que é isso, carecem sobretudo de inspiração, imaginação e aquele toque subtil de coisa nenhuma mas que faz toda a diferença. Pode ser só uma predisposição, um desejo avassalador ou até uma ânsia de aventura, tudo serve para nos fazer sonhar porque "o sonho comanda a vida" segundo António Gedeão.
Acordei feliz por ter sido só um pesadelo.
Há sonhos "dos outros" (aqueles diurnos em que nem pestanejamos) que se tornam pesadelos sem sabermos porquê.
Talvez que os sonhos precisem de alimento salutar e inspirado. Penso que é isso, carecem sobretudo de inspiração, imaginação e aquele toque subtil de coisa nenhuma mas que faz toda a diferença. Pode ser só uma predisposição, um desejo avassalador ou até uma ânsia de aventura, tudo serve para nos fazer sonhar porque "o sonho comanda a vida" segundo António Gedeão.
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